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Fim da escala 6x1 enfrenta ofensiva de parlamentares ligados ao patronato



Trabalhadores ampliam pressão no Congresso enquanto setores empresariais articulam propostas para frear a redução da jornada sem corte salarial


A mobilização nacional pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial entrou em uma fase decisiva no Congresso Nacional.


Ao mesmo tempo em que a pauta ganha apoio entre trabalhadores de diversas categorias e avança no debate legislativo, cresce também a ofensiva de setores empresariais e de parlamentares alinhados ao patronato contra a pauta.


Para as entidades sindicais, as propostas alternativas apresentadas nos últimos meses têm como principal objetivo enfraquecer uma das reivindicações mais importantes da classe trabalhadora e preservar o atual modelo de organização do trabalho.


Defendida por centrais sindicais e movimentos sociais, a redução da jornada é apontada como uma resposta às profundas transformações ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas.


Os defensores da medida argumentam que o avanço tecnológico e o aumento da produtividade não foram acompanhados por melhorias proporcionais na qualidade de vida dos trabalhadores.


A proposta busca garantir mais tempo para descanso, convivência familiar, qualificação profissional e lazer, sem redução salarial.


Mais que questão econômica


Para Loricardo de Oliveira, presidente da CNM/CUT, a redução da jornada não pode ser analisada apenas sob a perspectiva econômica.


Segundo ele, o debate envolve saúde, qualidade de vida, dignidade e a necessidade de distribuir de forma mais equilibrada os ganhos gerados pelo avanço tecnológico e pelo aumento da produtividade.


“A sociedade brasileira precisa decidir se os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade vão continuar beneficiando apenas os lucros das empresas ou se também serão convertidos em mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida para os trabalhadores.


A redução da jornada sem redução salarial é uma reivindicação justa e compatível com os desafios do século XXI”, afirmou.


O dirigente avalia que a pressão popular será decisiva para o resultado da votação no Congresso.


Para ele, a mobilização dos trabalhadores pode impedir o enfraquecimento da proposta original e garantir que a mudança represente um avanço concreto nas condições de vida da população.


“Os trabalhadores precisam saber quem está ao lado da redução da jornada e quem está atuando para impedir essa conquista. Não é aceitável apresentar propostas que mantêm a jornada atual e transferem para negociações individuais aquilo que deveria ser um direito garantido em lei. O Senado precisa ouvir a voz das ruas e aprovar uma medida que efetivamente melhore as condições de vida da classe trabalhadora”, declarou.


Reação patronal


À medida que cresce o apoio popular ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada sem redução salarial, setores empresariais e parlamentares alinhados ao patronato intensificam a articulação de propostas alternativas no Congresso Nacional.


Uma das principais iniciativas surgiu no Senado Federal com a apresentação da PEC 12/2026, chamada pelas entidades sindicais de PEC do “contrato de zero hora”.


A proposta permite que a jornada e a remuneração sejam definidas de acordo com a demanda das empresas, sem garantia de quantidade mínima de horas trabalhadas ou de renda mensal fixa.


Para os movimentos sindicais, a medida amplia a liberdade das empresas para convocar trabalhadores apenas quando houver necessidade, transfere para os empregados os riscos das oscilações econômicas e enfraquece a negociação coletiva ao priorizar acordos individuais.


Análise do DIEESE aponta que a proposta segue na direção oposta à redução da jornada sem redução salarial defendida pelos trabalhadores.


Na Câmara dos Deputados, a reação também se manifestou por meio de uma emenda apresentada pelo deputado Sérgio Turra, que reuniu o apoio de 176 parlamentares. Entre os apoiadores estão nomes como Nikolas Ferreira, Caroline de Toni, Bia Kicis, Mario Frias, Marcos Pollon, Zé Trovão e Ricardo Salles.


No Senado, a PEC 12/2026 recebeu apoio de parlamentares como Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro, Sergio Moro, Hamilton Mourão, Damares Alves, Magno Malta, Tereza Cristina e Ciro Nogueira.


Para dirigentes sindicais, a atuação desses grupos evidencia a resistência de setores políticos e econômicos que historicamente se posicionam contra avanços na legislação trabalhista e na ampliação dos direitos sociais.


Na avaliação das entidades, as propostas em discussão preservam aspectos centrais do modelo atual de organização do trabalho e não atendem à principal reivindicação dos trabalhadores: reduzir a jornada sem redução salarial, garantindo mais tempo para viver, conviver e descansar.


Hora da decisão


As centrais sindicais avaliam que a tramitação da proposta poderá se transformar em uma das discussões mais importantes da atual legislatura.


A expectativa é ampliar as mobilizações em todo o país, com campanhas de conscientização, atos públicos, assembleias e pressão direta sobre deputados e senadores.

O objetivo é garantir a aprovação de uma proposta que reduza a jornada sem redução salarial e elimine definitivamente a escala 6x1.


Para os movimentos que lideram a campanha, a discussão vai muito além da quantidade de horas trabalhadas por semana.


O tema envolve saúde, segurança, valorização profissional, geração de empregos e qualidade de vida.


À medida que a votação se aproxima, cresce também a cobrança para que cada parlamentar assuma publicamente sua posição diante de uma pauta que poderá impactar diretamente a vida de milhões de trabalhadores brasileiros.


Foto: Reprodução

 
 
 

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